Presos cramunhões que meteram fogo em viatura

Cadeia nos cramunhões. Depois de 10 meses de investigação, policiais dos departamentos de Narcóticos (Denarc) e Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) desarticularam uma quadrilha de traficantes com atuação nos bairros de Cajazeira XI e Boca da Mata. Carlos Alberto Sales Ramos, o “Betão”, 26 anos, líder da quadrilha, Rafael Teles dos Santos, o “Tamarindo”, 28, Alex Sandro Jesus Guimarães, o “Leleque”, 33, e Ana Carine Santos Conceição, 25, foram presos entre sexta (14) e segunda-feira (17). Os dois primeiros em Itapuã e o restante em Cajazeiras X.
Acusados de envolvimento em pelo menos quatro homicídios ocorridos em Salvador nos últimos 18 meses, a quadrilha participou em março deste ano do incêndio a uma viatura da Rondesp, em Cajazeiras XI, quando homens quebraram o vidro e atearam fogo no veículo. O grupo foi apresentado, nesta quarta-feira (19), à imprensa, no auditório do DHPP, pelos delegados Clelba Regina Telles, titular da 2ª Delegacia de Homicídios (DH/Central), Jamal Youssef Amad, da DH/Central e Omar Andrade Leal, do Denarc.
De acordo com a delegada Clelba Regina, o traficante “Tamarindo”, com quem “Betão” mantinha contato de dentro do presídio, estava foragido da Colônia Penal Lafayette Coutinho desde outubro de 2012, quando teve permissão de saída temporária e não mais voltou para o sistema prisional. Assim como Tamarindo, os outros criminosos já têm passagem pela polícia por tráfico de drogas e estavam com mandados de prisão preventiva, expedidos pela Vara do Júri e pela 2ª Vara de Tóxicos.
Batizada de “Grão Negro”, a operação conjunta do Denarc/DHPP resultou também na apreensão de dois revólveres calibre 38, ambos com numerações raspadas, uma balança de precisão, cadernetas de anotação, R$ 3,7 mil em espécie e certa quantia de crack, cocaína e maconha, já embalada para comercialização. O material apreendido estava enterrado no quintal da casa de Alex, na localidade de Areias, em Camaçari.

Crimes

A delegada Cleuba Regina afirmou que o grupo está envolvido no assassinato da adolescente Raíssa Costa de Oliveira, 17, que foi encontrada carbonizada no bairro do Calabetão, em janeiro de 2011. De acordo com as investigações, o crime foi motivado porque a menina teria vendido duas armas do padrasto para integrantes de uma quadrilha rival à de Betão. Já o garoto Fabrício Costa Cruz, 7, foi vítima de uma bala perdida num confronto que envolveu componentes do bando, em janeiro de 2012.
Segundo o delegado Jamal Youssef Amad, o grupo está sendo investigado também pelo homicídio de Marcos Paulo Paixão dos Santos e de sua namorada, Vitória Candido Silva, ambos de 17 anos, executados a tiros em Cajazeiras XI em outubro de 2011. O crime teria sido motivado por uma dívida de drogas de Marcos com os bandidos.
Também responsável pelas investigações, o delegado Omar Andrade Leal, do Denarc, explicou que a quadrilha era bem articulada, com funções específicas: Betão como chefe, Alex demandando os trabalhos aos outros componentes, Tamarindo articulando as ações de dentro da cadeia e Ana Carine sendo responsável pelas movimentações financeiras oriundas do tráfico de drogas. O quarteto foi encaminhado para o sistema prisional, onde se encontra à disposição da Justiça criminal.

Foto e informações: Ascom/SSP