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Desperte o orador que existe em você

quinta-feira, junho 29th, 2017

Há exatos vinte anos, em Junho de 1997, Mery Schmich, colunista do jornal Chicago Tribune, escreveu um artigo que pode ser traduzido livremente como “Conselhos e juventude desperdiçados pelos jovens”. Apesar do tempo,  a mensagem continua atual. O texto ficou conhecido no Brasil como “O Filtro Solar”, depois de musicado e gravado na voz de Pedro Bial. A publicação incentivava todas as pessoas acima dos 26 anos a escrever o próprio discurso sobre as expectativas para o futuro, mesmo que nunca precisassem falar em público. Era também a tentativa da autora.

Para ela, dentro de cada um de nós existe um orador. Pode até estar adormecido, mas em algum momento talvez seja preciso despertá-lo. Existem técnicas para isso. Ainda assim, muita gente sofre com algum grau de Glossofobia, o famoso medo de falar em público. Uma pesquisa do jornal inglês Sunday Times, com três mil pessoas, identificou que 41% dos participantes têm mais medo da morte do que de falar publicamente. Os sintomas podem levar a situações embaraçosas, impedir aquela promoção no trabalho ou o tão esperado salto na carreira e a mudança de vida. Primeiro é preciso identificar a origem do problema, depois saber aonde se quer chegar. Entre um e outro ponto, a mudança de atitude é indispensável.

Pequenos ajustes são cruciais para a grande transformação. Aí entram as técnicas que precisam ser praticadas antes mesmo de se levantar da cama e mantidas até o momento de retornar para ela. O que muita gente não sabe é que 55% da mensagem é emitida pela linguagem não-verbal, 38% pelo tom da voz e apenas 7% pelas palavras. Isso não tira o valor das palavras. Ao contrário, fortalece. É uma luz no fim do túnel para quem tem medo de ser o centro das atenções, já que é possível controlar a ansiedade e os impulsos que levam ao nervosismo mudando a linguagem corporal. Fazendo o corpo trabalhar a seu favor. Além disso, você pode ajustar a respiração, encontrar o tom e timbre de voz corretos para buscar o efeito esperado, praticar o discurso e visualizar o seu sucesso. Funciona, está comprovado.

A psicóloga social Amy Cuddy, da Harvard Business School, cunhou a expressão “fake it until you make it”, ou finja até que você faça. É um conceito que demonstra a importância da linguagem corporal e sua influência no cérebro. A postura também molda quem você é. Cuddy acrescenta: “make it until you become it”, faça até que você se torne, e trabalha a definição das poses que remetem ao poder e aumentam a produção de hormônios que produzem a sensação de autoconfiança no organismo. Trocando em miúdos e lembrando o que vovó já dizia. “Senta direito. Barriga pra dentro, peito pra fora”. Afinal, “compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale”, pelo menos foi isso que Mery Schmich disse em junho de 1997. É um trabalho constante, mas acredite, funciona. Acredite no filtro solar também!

 

Emerson Nunes é jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

Reputação: mãos limpas e alma lavada

sábado, maio 13th, 2017

 

Diante da velocidade da comunicação, empresas e figuras públicas investem cada vez mais na imagem. Algumas esquecem um conceito valioso: reputação. Grosso modo, uma espécie de time line da vida e, justamente por ser construída em longo prazo, tem mais robustez do que a imagem momentânea. A reputação é um ativo imaterial. Paira no inconsciente coletivo. É aquele sentimento ao pensar nos Médicos Sem Fronteiras, em Gandhy ou, na agora santa, Teresa de Calcutá. Há também casos cristalizados de má reputação. Hitler, Mussolini ou Bin Laden.Imagens arranhadas podem destruir reputações e custar caro. Al Ries diria que é como você se posiciona na mente do seu ouvinte.

Imagens arranhadas podem destruir reputações e custar caro. O nadador americano Ryan Lochte inventou ter sido assaltado durante as Olimpíadas do Rio. Descoberta a farsa, perdeu patrocinadores e cerca de R$ 10 milhões. Atletas como Oscar Pistorius, Lance Armstrong, Tiger Woods e Mike Tyson já tiveram contratos suspensos por envolvimento em escândalos.

Reputação também pauta o mundo corporativo. No Brasil, as agências de classificação de risco, Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch rebaixaram a nota do banco BTG Pactual, após a prisão de André Esteves na operação Lava Jato. A justificativa? Danos reputacionais. Não é fácil construir uma boa reputação. É preciso tempo para solidificá-la, mas ela pode desmoronar em minutos. Clareza e transparencia são essenciais. A ausência desses dois pré-requisitos e à falta de diálogo com a sociedade colocou a política brasileira em níveis baixíssimos. O Relatório Confiança nas Profissões de 2016 da GfK Verein ouviu mais de 20 mil pessoas em 27 países e apontou a classe política brasileira como a menos confiável. O nível de confiança é de 6%. Certamente, consequência dos constantes escândalos de corrupção. Na vida pública é preciso um posicionamento alinhado com os novos tempos. Alma lavada e mãos limpas. Reputação é isso!

Emerson Nunes

Jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

Foto: Divulgação

O BaVi de 180 minutos

quinta-feira, maio 4th, 2017

O BaVi de 180 minutos

Fomos a campo ontem com um número na cabeça: 180. Apenas se conhece o vencedor dos BaVis quando o juiz apitar o final do segundo, mais conhecido como o último do Campeonato Baiano de 2017. Em volta da arena, a Paz. Idosos, crianças e os abnegados- como eu. Todos ali. Bandeiras ao vento, coração a pique e eu assistindo de Brasília pela TV. Só poderia sair da capital federal após participar dos detalhes sobre pauta de comissões importantes.

Mas, acompanhei a velocidade e emoção do clássico. Bolas venenosas e todo pique da turma tricolor. Imagine aí, o frio na espinha logo aos dois minutos quando Zé Rafael emplaca uma bola na trave.  A torcida solta o grito. Eu quase fico rouco.

Olhei de novo pra tela da TV e me veio em close a imagem colada abaixo do telão: BBMP. Reforçou minha confiança que marcaríamos no primeiro tempo. Aí, continuei embalado na vibração do hino que não se calou: ninguém nos vence em vibração…

Sem duvida, Guto Ferreira preparou um esquema tático para invadir a área adversária e a missão foi cumprida. Veio o gol de Tiago pra sacudir a galera. Eitaaa, alegriaaa.

Teve uma minipedalada de Edigar Junio e o time provou que pode se  movimentar bem mais. Fomos para o intervalo meio ansiosos sem imaginar o que viria na segunda etapa, até descobrir que Guto fez o time recuar um pouco. Mas nossa torcida não recua, vai pra cima. A força da charanga que faz vibrar o coração empurrava Jeanzinho para defesas precisas. Allione, não repetiu a garra do último jogo, mas é uma peça importante para nossos planos de gol .

O colombiano Pablo Armero se esforçou mas saiu de campo angustiado com a bola que empurrou pra dentro de nossa rede. Ohh, dó!  Mas apesar do empate, do bate-rebate, a torcida continuou soprando aos ares:  Somos da turma Tricolor, somos da voz do campeão…

Só dois dias para preparar o time! Guto, ouça aí, meu amigo, vamos apertar o adversário na casa dele.

Esse clássico tem 85 anos de rivalidade e no encontro de domingo vai levar a faixa quem for mais arrojado, sem medo de ser feliz. E o número? Ah, 360. Mudança total de ângulo. Vamos todos pra cima. Não gosto de precisar de empate. Gosto do máximo, combustível ideal para nos motivar a chegar ao topo. Como adoramos o desafio e o Bahêa é time de chegada, acho que o nosso hino nesse momento é.:  “Simbora mais eu…. Bora Bahêaaa!!!!

Bacelar é deputado federal e presidente do PTN na Bahia

Para que serve a UPB

quinta-feira, fevereiro 2nd, 2017

A mídia trouxe à tona informações sobre a disputa para a presidência da UPB (União das Prefeituras da Bahia). São 417 municípios no estado e todos passam por dificuldades financeiras e, consequentemente, produtivas. Produzir serviços, essa é a meta do gestor público que tenta se equilibrar qual um malabarista para fazer frente às inúmeras atribuições legais que devolvam à população serviços de saúde, educação, saneamento, segurança, moradia, transporte e lazer.

O município é a base da democracia e da Federação. É o espaço de exercício da política mais próximo do cidadão, é o centro de interação entre representantes e representados. E onde devem ser desconstruídas as fronteiras entre as duas partes. É por isso que acredito no municipalismo radical, na politica que produz grupos, redes. Mais espaço e participação das comunidades, onde o poder seja distribuído, assim como nossas

responsabilidades.

Hoje apenas 200 entre os 5.600 municípios brasileiros respondem por 72% do PIB nacional. Ou seja, a grande maioria não produz para sanar suas contas e a pulverização dos recursos repassados pela União termina enfraquecendo os cofres públicos. Os menores sofrem ainda mais. No entanto, todos eles arcam com idênticos compromissos para atender às demandas sociais. Queremos sim, politicas públicas de atendimento ao cidadão, com maior velocidade e respeito.

Os prefeitos continuam sofrendo com ausência de margem de manobra ou autonomia para realizar serviços urgentes nas suas cidades. São impedimentos reincidentes que poderiam ser superados, ao meu ver, com a criação de consórcios municipais, que é a reunião de municípios, especialmente de pequeno porte, para conseguir ofertar serviços públicos comuns, a exemplo da implantação de rede de água e esgoto eficiente ou a compra de equipamento para tomografia, construção de moradias populares, e outros tantos serviços. Um caminho onde prevaleçam as alianças para permitir a governabilidade.

Eures Ribeiro, o novo presidente da UPB, tem pela frente a missão de unificar ideias e ideais para corresponder expectativas comuns a milhões de baianos. Ele já avisou que vai buscar mais recursos para os municípios. E uma das primeiras brigas a travar será a derrubada do veto do ISS sancionada pelo presidente Michel Temer que transfere para o Estado de São Paulo todo o recurso do Imposto sobre Serviço retido pelos cartões de crédito. Acreditamos que municipalismo forte rima com população melhor atendida.

A desaprovação ao governo Dilma não pode sobrepor ao princípio da legalidade

quinta-feira, setembro 1st, 2016

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A desaprovação ao governo Dilma não pode sobrepor ao princípio da legalidade. E foi isso o que aconteceu. Conversei com parlamentares dos dois blocos para formar opinião sobre o processo que envolve o impeachment e todos, sem nenhum tipo constrangimento, afirmaram o que já sabemos: Dilma não foi impeachmada pelas “pedaladas fiscais”.

A petista, segundo os nobres políticos, foi impedida de terminar o mandato por tudo o que ela mesma construiu de negativo em seu governo, o que eles batizaram de “conjunto da obra”. Nesse conjunto entra a crise econômica, provocada pela crise política, a seletividade jurídica da Operação Lava Jato, a “injusta” distribuição ministerial entre os partidos aliados, entre outros pontos de interesse deles, e que só têm eles como beneficiários. Os fatos, em meu ponto de vista, são incontestáveis: Primeiro, Dilma não cometeu crime de responsabilidade; Segundo, Dilma permitiu que a classe empresarial corrompesse, ainda mais, o congresso. Apoiado nas convicções desses pontos, tenho que ser coerente e afirmar que a base legal para o impeachment ser chancelado por 61 senadores foi uma verdadeira farsa. Não falo em golpe. O processo, embora levante questionamentos, seguiu todo o rito constitucional. O que não posso, diante dos fatos apresentados, é concordar que os motivos que levaram o impedimento de Dilma Rousseff foram baseados em argumentos legais. Todos sabem que não foram.

O mais importante no contexto desse jogo é que com a decisão dos senadores e deputados em impeachmá-la, criou-se a chamada insegurança jurídica. E isso é grave. Agora que a maioria dos parlamentares decidiu que “pedalada fiscal” passa a ser crime de responsabilidade passível da punição máxima, eis que governadores e prefeitos de todo o país poderão/deverão ser julgados e condenados pelos mesmos crimes imputados a Dilma. A decisão no âmbito federal deve ser aplicada e respeitada, inclusive, com efeito retroativo, para estados e municípios. Será o colapso do sistema governamental?

Eis que Michel Temer, presidente efetivado, poderá ser afastado e impeachmado antes de terminar o seu mandato em 31 de dezembro de 2018? O ato de utilizar as “pedaladas fiscais” faz parte e já aconteceu em diversos governos, e pode/deve acontecer com o peemedebista. Temer tem as seguintes opções para se manter no posto até o final: cortar integralmente/parcialmente programas sociais, habitacionais, de infraestrutura e governamental – e cobrar parcela dessa conta da população – as chamas pílulas amargas; Ele pode se vender para o congresso e ceder espaço no governo com o objetivo de não ser processado e condenado – movimento que já deve estar sendo feito, não se sabe até quando se sustenta; Ou governar assumindo o risco de responder pelo crime de responsabilidade e passar pelos mesmos ritos submetidos pela petista. Independentemente da decisão da cúpula peemedebista, Temer sabe que esse é o preço que pagará para se manter no poder.

Artigo: O impeachment e o Brasil

sexta-feira, abril 29th, 2016

bacelar

O IMPEACHMENT E O BRASIL

 

Deputado Bacelar

 

 

Está chegando ao fim o abril mais conturbado da nossa nova fase democrática, que dividiu o Brasil em dois grupos, “pró” e “contra” o impeachment. Eu votei “não” ao impeachment, todas as vezes em que fui consultado; porque as minhas convicções não estão à venda e não vi, nas denúncias apresentadas ou no relatório do deputado Jovair Arantes, nenhuma comprovação de que a Presidente Dilma Rousseff tenha incorrido nos crimes de responsabilidade de que a acusam. Esta continua a ser a minha posição. Acredito que a Presidente foi vítima, sim, de uma crise política e econômica; do desemprego que grassa e da corrupção que se instalou no País, entre políticos e empresários, como a Operação Lava Jato vem demonstrando amplamente. Foi por isto, que ela foi condenada; não por acusações que simplesmente não se sustentam.

Se alguma dúvida ainda existir, basta notar que, dos 372 deputados que disseram “sim” ao impeachment, menos de 20 mencionaram a acusação de crimes de responsabilidade; praticamente todos votaram “sim” por diversos motivos, em discursos pré-fabricados e cheios de chavões: “pelos brasileiros desempregados”, “pelo Brasil”, “pela família”, “pelo fim da corrupção”, “pelo exemplo de Montes Claros”, e por aí vai. O rito do processo pode até ter sido seguido, mas o mérito não foi julgado. Mas democracia é acatar a decisão da maioria. O que precisamos, agora, é lembrar que o Brasil é mais importante e mais forte do que tudo isto, e é feito pela união dos brasileiros. O que precisamos, agora, é estar unidos, para repensar o nosso País, qualquer que seja o resultado final do processo de impeachment.

Precisamos de mudanças imediatas no sistema, que dificultem a corrupção. Precisamos acabar com a intimidade perigosa entre empresários e políticos, com “doações” que muitas vezes ocultam o repasse de verbas públicas indevidamente desviadas. Precisamos acabar com a prática de “propinas” por obras, que muitas vezes nem chegam a deixar o papel, e em outras vezes são iniciadas e abandonadas, num atestado de descaso pelo dinheiro público. O que ocorreu na Itália, na década de 90, com a Operação Mãos Limpas, que gerou uma corrupção ainda maior, nos mostra que não basta varrer partidos ou políticos de cena, para mudar um país: é necessário um trabalho conjunto, entre os três poderes e com a participação de toda a sociedade organizada. Vivemos um momento histórico, em que precisamos e podemos fazer nascer um novo Brasil, iniciando um processo de mudança. E nós, políticos, podemos fazer muito para ajudar neste processo. Podemos, por exemplo, trabalhar pela Reforma Política, pela adoção de medidas que dificultem a corrupção e pelo combate às desigualdades sociais.

Podemos, principalmente, trabalhar pela Educação. Porque a Educação é a ferramenta mais poderosa de que o ser humano dispõe, para promover as grandes mudanças. Mas, repito, este não é um trabalho exclusivo dos políticos; reclama a participação de toda a sociedade. Mãos à obra, portanto; que cada um faça a sua parte. Juntos, vamos construir o novo Brasil!