
Êta. A ausência de representantes da Prefeitura de Salvador marcou a audiência pública realizada pela Comissão de Transporte da Câmara Municipal, na segunda-feira (15/6), para discutir o pedido de um novo subsídio de R$ 80 milhões ao sistema de transporte público da capital. O encontro foi solicitado pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB).
Além de Aladilce, participaram da audiência o presidente da comissão, Hélio Ferreira (PCdoB), o líder da oposição na Câmara, Randerson Leal (Podemos), e o vereador Hamilton Assis (PSOL), que criticaram a falta de representantes da gestão municipal em um debate considerado relevante para a cidade.
Também estiveram presentes o presidente da concessionária Integra, César Nunes, o superintendente Orlando Santos e o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo.
Durante a audiência, Aladilce afirmou que a ausência da prefeitura demonstrou falta de diálogo com o Legislativo e defendeu uma discussão mais ampla sobre o modelo de transporte adotado em Salvador. “Eu acho que essa conversa com a Câmara precisava ser mais frequente”, declarou a vereadora ao defender maior transparência na apresentação dos dados que compõem a planilha de custos do sistema.
A parlamentar também questionou a forma como o subsídio está sendo proposto pela gestão municipal. Segundo ela, o modelo de compensação de dívida dificulta o acompanhamento da destinação dos recursos públicos. “É questionável, além do valor não detalhado, a modalidade do subsídio por compensação de dívida, o que dificulta até o rastreamento da aplicação do recurso público”, afirmou.
Aladilce ainda cobrou informações sobre a aplicação dos R$ 67 milhões em subsídios autorizados ao transporte público no fim de 2025 e defendeu que os vereadores tenham acesso aos dados necessários antes da votação da proposta. “Nós precisamos ter acesso aos dados para votar com responsabilidade”, disse.
A vereadora e a colega Marta Rodrigues (PT) apresentaram voto contrário ao projeto durante reunião conjunta das comissões da Casa. As duas criticam a tramitação em regime de urgência e o argumento de que a tarifa poderá subir de R$ 5,90 para R$ 6,40 caso o novo aporte financeiro não seja aprovado.
Representantes da Integra afirmaram que o sistema de transporte enfrenta mudanças significativas nos últimos anos. Segundo dados apresentados na audiência, o número de passageiros pagantes caiu de 26 milhões por mês, em 2013, para 13,6 milhões atualmente.
De acordo com a concessionária, o custo anual do sistema está estimado em R$ 1,2 bilhão, e a necessidade de subsídios para este ano pode chegar a R$ 200 milhões, valor que representaria cerca de 6% do custo total da operação.
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Fotografia: Antonio Queiróz/CMS

