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As fakenews e as eleições de 2018

terça-feira, fevereiro 27th, 2018

Três décadas depois da Constituição Federal de 1988, as eleições deste ano se aproximam como um divisor de águas. Deve ser a primeira sem Lula que estará fora das urnas por conta da Lei da Ficha Limpa, sancionada por ele, que torna inelegível candidato condenado em segunda instância. Também será a primeira depois do fenômeno das fake news. Notícias, na maioria das vezes falsas ou distorcidas, fabricadas e disseminadas com o intuito de confundir através de artifícios aparentemente verdadeiros. Apesar do termo novo, as notícias falsas, principalmente em eleições, sempre existiram. A diferença são a velocidade de propagação, através de redes sociais e aplicativos de mensagens, e o viés partidário por trás.

Durante a eleição que escolheu Donald Trump presidente dos Estados Unidos, um em cada quatro americanos leu conteúdo falso, segundo estudo da Universidade Princeton, em Nova Jérsei. Uma análise do BuzzFeed News apontou que várias dessas falsas notícias tiveram mais alcance do que as manchetes dos principais jornais como o New York Times e o Whasington Post. A propagação de informações falsas, supostamente fabricadas pelo serviço secreto da Rússia contra a candidata democrata Hillary Clinton, ainda é investigada. Para evitar esse tipo de influência sobre o eleitor brasileiro, a Polícia Federal solicitou cooperação do FBI para que as experiências das eleições americanas de 2016 sejam compartilhadas.

Com o país polarizado politicamente e altamente ativo nas redes, não é de se espantar que os políticos mais atingidos pelas fake news sejam Lula e Bolsonaro, com ideais extremamente opostos. Este último tem se beneficiado das notícias falsas. Aparece entre os mais citados. A diferença é que 70% das publicações falsas sobre ele são para engrandecê-lo. Um caso recente foi a criação de uma página falsa da Polícia Militar da Bahia declarando apoio ao presidenciável com a hastag #euapoiobolsonaro. A PM baiana prometeu adotar medidas para punir os responsáveis.

Com dinheiro de campanha, a preocupação é a propagação em maior volume e velocidade. Até março, o TSE deve estabelecer normas e punição para criadores e multiplicadores de fake news nas eleições. A Portaria 949, de 7 de dezembro de 2017, instituí que o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, formado por dez integrantes ligados à presidência do TSE, terá que “desenvolver pesquisas e estudos sobre as regras eleitorais e a influência da Internet nas eleições, em especial o risco das fake news e o uso de robôs na disseminação das informações”. Isso comprova o receio com este tipo de problema e a possível interferência nas urnas.

No Brasil ainda não há punição específica para este delito, mas os responsáveis podem ser enquadrados nos crimes contra a honra, como calúnia, difamação ou injúria. Estudiosos da Universidade de Melbourne, na Austrália, criaram um mecanismo capaz de cruzar dados e identificar fake news nas redes sociais, mas reconhecem a necessidade de aprimoramento, apesar do grande passo nessa guerra de informações. A melhor maneira de combater as fake news é como a vovó ensinava: “olho viu, boca piu”. É quase o mesmo tratamento dado às fofocas e falsas notícias de antigamente. A notícia falsa more em ouvidos inteligentes. Que em outubro os eleitores não se deixem contaminar e estejam atentos antes de compartilhar notícias de caracteres duvidosos.

Emerson Nunes é jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

A política dos extremos

quarta-feira, novembro 29th, 2017


Em outubro de 2018, pelo menos 150 milhões de brasileiros devem ir às urnas para escolher cinco candidatos. Deputados estadual e federal, senador, governador e presidente da República. Todos de muita importância para manutenção do governo e da democracia, mas aqui pretendo me ater aos postulantes ao cargo de mandatário do país. Diversas pesquisas já apontam a liderança de dois nomes extremamente opostos. De um lado o ex-presidente Lula, que deu uma nova inclinada para a esquerda e fortaleceu o discurso do “nós” e “eles”, do outro o deputado federal Jair Bolsonaro, ex-militar ultraconservador e de comportamento agressivo. Lula permanece popular entre a parcela mais carente e continua forte nos estados do Norte e Nordeste. Bolsonaro se vale dos altos níveis de criminalidade que assolam o país e de um eleitorado radical crente na teoria do “bandido bom é bandido morto”.

Na pesquisa realizada pelo Ibope entre 18 e 22 de outubro o petista aparecia à frente com 35% das intenções de voto contra 13% do parlamentar. A candidatura de Bolsonaro, antes vista como estratégia para negociar apoio, é uma ameaça cada vez mais real. Enquanto a de Lula depende da revisão do Tribunal Regional Federal da 4 região, que pode ratificar ou não a condenação do Juiz Sérgio Moro no caso do tríplex.

Mas e os outros 52% que não votam em nenhum dos dois extremos? E essa parcela gigantesca da população que não se identifica com o discurso populista e o de ódio? Esses eleitores que não se enquadram nos extremos serão o alvo principal nas eleições. Por isso cresce a procura por um quadro técnico que se coloque como terceira via, realmente viável, com a permissão da redundância. Alguém capaz de projetar atributos capazes de convencer a população da capacidade de identificar os problemas, apontar as soluções concretas, que consiga governar com maioria no Congresso, seja capaz de acalmar os mercados e dialogar com os extremos radicais.

Nomes como Marina Silva, Geraldo Alckmin ou João Dória, Ciro Gomes e até mesmo o apresentador Luciano Huck são apontados como salvação da lavoura para essa fatia do eleitorado ansiosa por uma política diferente da feita pelos velhos partidos. Este último, mesmo sem estar filiado a alguma sigla, já lidera a pesquisa Barômetro Político Estadão-Ipsos com 60% de aprovação. Mais uma demonstração da busca por algo novo. Algumas siglas até tentam mudar de nome para oxigenar e trazer a falsa sensação de novidade, mas mantêm as mesmas práticas desalinhadas com as leis. É cada vez menor o número de pessoas que votam em legendas para escolher candidatos com quem tenham algum tipo de afinidade.

A falta de credibilidade na política é um risco capaz de atrair oportunistas e abrir espaço para o populismo. Uma coisa é certa: o postulante interessado em atrair os votos de centro terá que fortalecer o discurso do caráter e da personalidade. Diversas pesquisas já direcionam para isso ao apontar a corrupção como principal problema do Brasil atualmente. Se antes o clamor era por Saúde, Segurança e Educação, hoje, além disso, o desejo é por algo novo e alguém capaz de reafirmar o compromisso com o bem-estar da sociedade, a começar pelo estabelecimento de valores humanos, exemplos de honestidade e reputação. A resposta e os dispostos a isso, nós só teremos a partir de agosto de 2018, quando começam as convenções partidárias. Que seja alguém que traga o frescor da esperança em seu discurso e a capacidade de colocá-lo em prática.

Emerson Nunes é jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.
emerson@falabelacomunicacao.com.br

Somos seres emocionais que raciocinam

terça-feira, outubro 24th, 2017

É impactante saber que diversos estudos apontam os impulsos emocionais como norteadores das decisões humanas frente ao raciocínio. Mesmo que depois possamos justificar essas atitudes com argumentos pensados. Diariamente tomamos milhares de decisões, desde o despertar até a hora de retornar para a cama. Imagine se fôssemos premeditar cada uma delas: com qual pé daremos o primeiro passo, o motivo de escovar os dentes, tomar um transporte para o trabalho, etc. Não daria tempo para tudo. Nos tornaríamos paranoicos! A razão é uma parte do processo de tomada de decisões, muitas vezes a menos importante. A outra parte é formada pelas emoções e sentimentos.

À parte de todas as críticas à sua obra, no estudo “A Expressão das Emoções nos Animais e no Homem”, Charles Darwin aponta certas emoções como universais nos seres humanos. Mais de um século depois, no clássico “A Linguagem das Emoções”, o psicólogo Paul Ekman vai além; comprova e identifica a existência de seis emoções básicas, independentemente da etnia ou da cultura. Medo, raiva, tristeza, surpresa, repulsa e alegria. Elas não estão ligadas ao ambiente, ou à influência da cultura – defende Ekman -, seja a mais ancestral ou moderna. Segundo o pesquisador americano, todos os seres humanos são capazes de expressar essas emoções na face. Podemos controlar o modo como demonstramos, mas as emoções sempre estarão lá. São reações automáticas. Micro expressões.

O médico argentino Daniel López Rosetti aponta que com a evolução da consciência se fez presente a vivência subjetiva da emoção, o sentimento. A reação emocional, segundo ele, é formada por três ligações: a atitude física, a expressão facial e o sentimento. Uma emoção pressupõe um impulso, uma ação em determinado tempo. É uma resposta mental e física específica. Já o sentimento surge e se prolonga no tempo sem a reação intensa e aguda da emoção. O Sentimento é a tomada de consciência da emoção que lhe deu origem.

Assim como as três cores primárias dão origem a todas as cores e as sete notas musicais a todos os acordes, arriscaria dizer os seres humanos são compostos por emoções e sentimentos. Equilibrar razão e emoção é a alternativa para alcançar o bem-estar pessoal e o desempenho adequado no mundo social onde convivemos e interagimos com outras pessoas. Esse equilíbrio vai fazer a diferença nas nossas relações sociais. Não somos seres racionais, somos seres emocionais que raciocinam.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

 

 

Foto: Divulgação

Desperte o orador que existe em você

quinta-feira, junho 29th, 2017

Há exatos vinte anos, em Junho de 1997, Mery Schmich, colunista do jornal Chicago Tribune, escreveu um artigo que pode ser traduzido livremente como “Conselhos e juventude desperdiçados pelos jovens”. Apesar do tempo,  a mensagem continua atual. O texto ficou conhecido no Brasil como “O Filtro Solar”, depois de musicado e gravado na voz de Pedro Bial. A publicação incentivava todas as pessoas acima dos 26 anos a escrever o próprio discurso sobre as expectativas para o futuro, mesmo que nunca precisassem falar em público. Era também a tentativa da autora.

Para ela, dentro de cada um de nós existe um orador. Pode até estar adormecido, mas em algum momento talvez seja preciso despertá-lo. Existem técnicas para isso. Ainda assim, muita gente sofre com algum grau de Glossofobia, o famoso medo de falar em público. Uma pesquisa do jornal inglês Sunday Times, com três mil pessoas, identificou que 41% dos participantes têm mais medo da morte do que de falar publicamente. Os sintomas podem levar a situações embaraçosas, impedir aquela promoção no trabalho ou o tão esperado salto na carreira e a mudança de vida. Primeiro é preciso identificar a origem do problema, depois saber aonde se quer chegar. Entre um e outro ponto, a mudança de atitude é indispensável.

Pequenos ajustes são cruciais para a grande transformação. Aí entram as técnicas que precisam ser praticadas antes mesmo de se levantar da cama e mantidas até o momento de retornar para ela. O que muita gente não sabe é que 55% da mensagem é emitida pela linguagem não-verbal, 38% pelo tom da voz e apenas 7% pelas palavras. Isso não tira o valor das palavras. Ao contrário, fortalece. É uma luz no fim do túnel para quem tem medo de ser o centro das atenções, já que é possível controlar a ansiedade e os impulsos que levam ao nervosismo mudando a linguagem corporal. Fazendo o corpo trabalhar a seu favor. Além disso, você pode ajustar a respiração, encontrar o tom e timbre de voz corretos para buscar o efeito esperado, praticar o discurso e visualizar o seu sucesso. Funciona, está comprovado.

A psicóloga social Amy Cuddy, da Harvard Business School, cunhou a expressão “fake it until you make it”, ou finja até que você faça. É um conceito que demonstra a importância da linguagem corporal e sua influência no cérebro. A postura também molda quem você é. Cuddy acrescenta: “make it until you become it”, faça até que você se torne, e trabalha a definição das poses que remetem ao poder e aumentam a produção de hormônios que produzem a sensação de autoconfiança no organismo. Trocando em miúdos e lembrando o que vovó já dizia. “Senta direito. Barriga pra dentro, peito pra fora”. Afinal, “compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale”, pelo menos foi isso que Mery Schmich disse em junho de 1997. É um trabalho constante, mas acredite, funciona. Acredite no filtro solar também!

 

Emerson Nunes é jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

Reputação: mãos limpas e alma lavada

sábado, maio 13th, 2017

 

Diante da velocidade da comunicação, empresas e figuras públicas investem cada vez mais na imagem. Algumas esquecem um conceito valioso: reputação. Grosso modo, uma espécie de time line da vida e, justamente por ser construída em longo prazo, tem mais robustez do que a imagem momentânea. A reputação é um ativo imaterial. Paira no inconsciente coletivo. É aquele sentimento ao pensar nos Médicos Sem Fronteiras, em Gandhy ou, na agora santa, Teresa de Calcutá. Há também casos cristalizados de má reputação. Hitler, Mussolini ou Bin Laden.Imagens arranhadas podem destruir reputações e custar caro. Al Ries diria que é como você se posiciona na mente do seu ouvinte.

Imagens arranhadas podem destruir reputações e custar caro. O nadador americano Ryan Lochte inventou ter sido assaltado durante as Olimpíadas do Rio. Descoberta a farsa, perdeu patrocinadores e cerca de R$ 10 milhões. Atletas como Oscar Pistorius, Lance Armstrong, Tiger Woods e Mike Tyson já tiveram contratos suspensos por envolvimento em escândalos.

Reputação também pauta o mundo corporativo. No Brasil, as agências de classificação de risco, Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch rebaixaram a nota do banco BTG Pactual, após a prisão de André Esteves na operação Lava Jato. A justificativa? Danos reputacionais. Não é fácil construir uma boa reputação. É preciso tempo para solidificá-la, mas ela pode desmoronar em minutos. Clareza e transparencia são essenciais. A ausência desses dois pré-requisitos e à falta de diálogo com a sociedade colocou a política brasileira em níveis baixíssimos. O Relatório Confiança nas Profissões de 2016 da GfK Verein ouviu mais de 20 mil pessoas em 27 países e apontou a classe política brasileira como a menos confiável. O nível de confiança é de 6%. Certamente, consequência dos constantes escândalos de corrupção. Na vida pública é preciso um posicionamento alinhado com os novos tempos. Alma lavada e mãos limpas. Reputação é isso!

Emerson Nunes

Jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

Foto: Divulgação