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Somos seres emocionais que raciocinam

terça-feira, outubro 24th, 2017

É impactante saber que diversos estudos apontam os impulsos emocionais como norteadores das decisões humanas frente ao raciocínio. Mesmo que depois possamos justificar essas atitudes com argumentos pensados. Diariamente tomamos milhares de decisões, desde o despertar até a hora de retornar para a cama. Imagine se fôssemos premeditar cada uma delas: com qual pé daremos o primeiro passo, o motivo de escovar os dentes, tomar um transporte para o trabalho, etc. Não daria tempo para tudo. Nos tornaríamos paranoicos! A razão é uma parte do processo de tomada de decisões, muitas vezes a menos importante. A outra parte é formada pelas emoções e sentimentos.

À parte de todas as críticas à sua obra, no estudo “A Expressão das Emoções nos Animais e no Homem”, Charles Darwin aponta certas emoções como universais nos seres humanos. Mais de um século depois, no clássico “A Linguagem das Emoções”, o psicólogo Paul Ekman vai além; comprova e identifica a existência de seis emoções básicas, independentemente da etnia ou da cultura. Medo, raiva, tristeza, surpresa, repulsa e alegria. Elas não estão ligadas ao ambiente, ou à influência da cultura – defende Ekman -, seja a mais ancestral ou moderna. Segundo o pesquisador americano, todos os seres humanos são capazes de expressar essas emoções na face. Podemos controlar o modo como demonstramos, mas as emoções sempre estarão lá. São reações automáticas. Micro expressões.

O médico argentino Daniel López Rosetti aponta que com a evolução da consciência se fez presente a vivência subjetiva da emoção, o sentimento. A reação emocional, segundo ele, é formada por três ligações: a atitude física, a expressão facial e o sentimento. Uma emoção pressupõe um impulso, uma ação em determinado tempo. É uma resposta mental e física específica. Já o sentimento surge e se prolonga no tempo sem a reação intensa e aguda da emoção. O Sentimento é a tomada de consciência da emoção que lhe deu origem.

Assim como as três cores primárias dão origem a todas as cores e as sete notas musicais a todos os acordes, arriscaria dizer os seres humanos são compostos por emoções e sentimentos. Equilibrar razão e emoção é a alternativa para alcançar o bem-estar pessoal e o desempenho adequado no mundo social onde convivemos e interagimos com outras pessoas. Esse equilíbrio vai fazer a diferença nas nossas relações sociais. Não somos seres racionais, somos seres emocionais que raciocinam.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

 

 

Foto: Divulgação

Desperte o orador que existe em você

quinta-feira, junho 29th, 2017

Há exatos vinte anos, em Junho de 1997, Mery Schmich, colunista do jornal Chicago Tribune, escreveu um artigo que pode ser traduzido livremente como “Conselhos e juventude desperdiçados pelos jovens”. Apesar do tempo,  a mensagem continua atual. O texto ficou conhecido no Brasil como “O Filtro Solar”, depois de musicado e gravado na voz de Pedro Bial. A publicação incentivava todas as pessoas acima dos 26 anos a escrever o próprio discurso sobre as expectativas para o futuro, mesmo que nunca precisassem falar em público. Era também a tentativa da autora.

Para ela, dentro de cada um de nós existe um orador. Pode até estar adormecido, mas em algum momento talvez seja preciso despertá-lo. Existem técnicas para isso. Ainda assim, muita gente sofre com algum grau de Glossofobia, o famoso medo de falar em público. Uma pesquisa do jornal inglês Sunday Times, com três mil pessoas, identificou que 41% dos participantes têm mais medo da morte do que de falar publicamente. Os sintomas podem levar a situações embaraçosas, impedir aquela promoção no trabalho ou o tão esperado salto na carreira e a mudança de vida. Primeiro é preciso identificar a origem do problema, depois saber aonde se quer chegar. Entre um e outro ponto, a mudança de atitude é indispensável.

Pequenos ajustes são cruciais para a grande transformação. Aí entram as técnicas que precisam ser praticadas antes mesmo de se levantar da cama e mantidas até o momento de retornar para ela. O que muita gente não sabe é que 55% da mensagem é emitida pela linguagem não-verbal, 38% pelo tom da voz e apenas 7% pelas palavras. Isso não tira o valor das palavras. Ao contrário, fortalece. É uma luz no fim do túnel para quem tem medo de ser o centro das atenções, já que é possível controlar a ansiedade e os impulsos que levam ao nervosismo mudando a linguagem corporal. Fazendo o corpo trabalhar a seu favor. Além disso, você pode ajustar a respiração, encontrar o tom e timbre de voz corretos para buscar o efeito esperado, praticar o discurso e visualizar o seu sucesso. Funciona, está comprovado.

A psicóloga social Amy Cuddy, da Harvard Business School, cunhou a expressão “fake it until you make it”, ou finja até que você faça. É um conceito que demonstra a importância da linguagem corporal e sua influência no cérebro. A postura também molda quem você é. Cuddy acrescenta: “make it until you become it”, faça até que você se torne, e trabalha a definição das poses que remetem ao poder e aumentam a produção de hormônios que produzem a sensação de autoconfiança no organismo. Trocando em miúdos e lembrando o que vovó já dizia. “Senta direito. Barriga pra dentro, peito pra fora”. Afinal, “compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale”, pelo menos foi isso que Mery Schmich disse em junho de 1997. É um trabalho constante, mas acredite, funciona. Acredite no filtro solar também!

 

Emerson Nunes é jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

Reputação: mãos limpas e alma lavada

sábado, maio 13th, 2017

 

Diante da velocidade da comunicação, empresas e figuras públicas investem cada vez mais na imagem. Algumas esquecem um conceito valioso: reputação. Grosso modo, uma espécie de time line da vida e, justamente por ser construída em longo prazo, tem mais robustez do que a imagem momentânea. A reputação é um ativo imaterial. Paira no inconsciente coletivo. É aquele sentimento ao pensar nos Médicos Sem Fronteiras, em Gandhy ou, na agora santa, Teresa de Calcutá. Há também casos cristalizados de má reputação. Hitler, Mussolini ou Bin Laden.Imagens arranhadas podem destruir reputações e custar caro. Al Ries diria que é como você se posiciona na mente do seu ouvinte.

Imagens arranhadas podem destruir reputações e custar caro. O nadador americano Ryan Lochte inventou ter sido assaltado durante as Olimpíadas do Rio. Descoberta a farsa, perdeu patrocinadores e cerca de R$ 10 milhões. Atletas como Oscar Pistorius, Lance Armstrong, Tiger Woods e Mike Tyson já tiveram contratos suspensos por envolvimento em escândalos.

Reputação também pauta o mundo corporativo. No Brasil, as agências de classificação de risco, Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch rebaixaram a nota do banco BTG Pactual, após a prisão de André Esteves na operação Lava Jato. A justificativa? Danos reputacionais. Não é fácil construir uma boa reputação. É preciso tempo para solidificá-la, mas ela pode desmoronar em minutos. Clareza e transparencia são essenciais. A ausência desses dois pré-requisitos e à falta de diálogo com a sociedade colocou a política brasileira em níveis baixíssimos. O Relatório Confiança nas Profissões de 2016 da GfK Verein ouviu mais de 20 mil pessoas em 27 países e apontou a classe política brasileira como a menos confiável. O nível de confiança é de 6%. Certamente, consequência dos constantes escândalos de corrupção. Na vida pública é preciso um posicionamento alinhado com os novos tempos. Alma lavada e mãos limpas. Reputação é isso!

Emerson Nunes

Jornalista, especialista em Marketing & Branding e diretor de conteúdo da Fala Bela Media Training & Comunicação.

emerson@falabelacomunicacao.com.br

Foto: Divulgação